domingo, 25 de julho de 2010

NÃO!

- Olha pra mim?
- Não quero.
- Então pelo menos fala alguma coisa.
- Não.
- Você sabe que isso é falar, né?
- Não.
- Só sabe falar não?
- Não.
- Credo. - ele sacudiu as pernas impaciente.
- O que?
- Agora você fala?
- Não.
- Sim.
- Eu não falei antes?
- Olha aqui pra mim. - a menina parou de balançar-se no balanço onde estava e parou olhando pra ele - Eu não sou amável. Eu não sou simpática, nem bonita, nem esperta. E eu não entendo, sinceramente o que você vê em mim. Eu amo balanços, parques, eu sou uma criança;
- Você tem a minha idade.
- É. Mas EU sou a criança. Você cresceu que eu nem te reconheço mais. E vem, do nada... MELHOR, volta, do nada dizendo que me... - a garota engasgou, não de propósito, mesmo que fosse clichê e conveniente - Me ama.
- Porque eu senti sua falta.
- E isso lá é amor?
- Você quer dizer que você não sentiu minha falta?
- Não.
- Quer dizer que não me ama?
. . .
- Não.
- Não me ama? - o menino levantou-se e virou-se - Isso é embaraçoso.
- Não, te amo.
- Por que sentiu minha falta?
- Não.
- Não sentiu?
- Vamos parar aqui, porque essa conversa tá andando em círculos.
- Então você me ama.
- Er... Você foi embora. Você quem disse que me ama.
- Mas você me ama.
Ela riu e o abraçou
- Não.
- Não me ama?
- Não, te amo.

Um comentário:

Joan Jett disse...

"Não, te amo"
hahaha adorei.

Mas afinal,
sentir falta é sinônimo de amar?