quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Por Água Abaixo


Eu particularmente nunca fui muito fã de barquinhos de papel.
Primeiro porque eu até hoje não consigo fazer um, segundo porque eles nunca navegam do jeito que a gente quer que eles naveguem e toda a experiência acaba sendo muito frustrante.
Aí eu sou forçada a me lembrar da primeira vez que a gente se encontrou, mas se encontrou pra valer, com direito a jantar à luz de velas, uma música suave e muita conversa sendo jogada fora. Você ficou ultrajado por eu não saber uma coisa tão primária como fazer um barco de papel e logo tomou as rédeas, pegou minhas mãos e um guardanapo qualquer e foi me guiando pro que seria minha vitória épica da noite. Finalmente essa menina inexperiente ia aprender como as coisas eram feitas, finalmente ela tinha um professor à altura do potencial que havia dentro dela.
Você pintou nosso barco com as cores que nós escolhemos e assim nós fomos mobiliando nossa vida com pequenas peças que pareciam se encaixar harmoniosamente, você construiu uma vida inteira pra gente e me guiou em todo o processo, foi o divisor de águas, aquela pessoa que eu realmente tinha que ter.
Até que finalmente nosso barco foi pra água e a gente foi obrigado a enfrentar o mundo real. Uma, duas, três batidas aqui ou ali, mas nada que fosse o suficiente pra nos abalar, até que veio o iceberg pro nosso Titanic e tudo foi por água abaixo num processo lento, ruidoso, cheio de gritos, desespero e...
Eu queria dizer "e amor", mas isso seria um pouco demais.
Só sei que você sobreviveu e eu também, mas em lados diferentes de um mar gelado e escuro onde restam apenas pedaços da vida que a gente construiu junto, e eu te olho e não te reconheço mais, porque eu sei que bem lá no fundo a gente não devia ter começado isso em primeiro lugar.
Então o que me restam são palavras que podem ou não te alcançar porque tem um abismo entre a gente e eu não quero mais me esticar e me arriscar pra satisfazer seu ego, eu não quero ser sua amiga, eu quero ser seu anjo, seu braço direito
Seu amor pra todas as horas.

Um comentário:

L. disse...

pegou pesado.