quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Vícios Com Virtudes

um gole de coca-cola para brindarmos à vitória;

Ele olhou pra ela, entrelaçando seus dedos nos dela.
- Viu, o encaixe é perfeito.
- É mesmo. - ela odiava quando ele dizia isso, porque se sentia tão pequena perto dele, que era tão perfeito.
- Eu não entendo, Mari, como a gente pode ser tão perfeito um pro outro - ele passou a outra mão pelos cabelos dela
Ela olhou pra ele entorpecida pelos olhos castanhos que observavam seu rosto como se fosse uma jóia rara. Não respondeu nada, só deu um beijo nele e encostou as costas na parede.
- Mari, me dá um minuto, vou comprar uma coca-cola.
- Pra variar, né, amor. Vai lá.
Na hora, uma amiga de Mariana apareceu
- Onde está o Bob?
- Comprando coca.
- Aquele negócio mata.
- Eu adoro.
- Coca? HAHAHAHA Tá louca?
- Mostra que ele é um viciado. Que ele tem defeitos, assim como eu. Nem que seja um refrigerante, ele viciou, mesmo que fizesse mal.
A amiga dela suspirou.
Bob apareceu e parou na frente dela, como se fosse um espelho.
Ele entrelaçou sua mão na dela.
- Viu - ela sorriu - Encaixam perfeitamente.

2 comentários:

Lita Ford disse...

Nossa, essa história transbordou paixão. Chegou até a me incomodar de tanta paixão.

A interpretação que fiz nem sei se posso chamar de interpretação, mas a assimilação da história suscitou muitas correlações devido a minha experiência. De certa forma, a essência da história retratou uma determinada fase que eu e o "grego" compartilhamos, que era essa coisa típica de paixão mesmo, tanto no sentido apaixonado quanto no sentido ilusório, idealizado. Sem querer, você abordou de uma maneira que me deixou entre a tua produção de texto e a minha vivência.
O lado da tua história seria a versão aparentemente, só aparentemente, sem problemas; a versão "coca-cola da vida", vulgarmente dizendo. Paralelo a essa, está a minha, que no lugar da Coca era a bebida alcoólica, ou o cigarro.
Essa história retratou, ao mesmo tempo, o que eu passei em determinada época, assim como uma "alegoria" de situações passadas, se é que posso dizer assim.
Por quê, afinal de contas? Vamos aos elementos...
A paixão deles - que acredito não precisar explicar muito, visto que está explícita - atrelada a esse momento surreal que eles estão vivendo.
Você usou o nome Mariana, o qual eu me deparei duas infelizes e diferentes vezes enquanto estava com o "grego".
A Coca seria um símbolo sutil dos verdadeiros vícios dele.
A conformação dela quanto a esses vícios dele, mesmo que não seja absoluta.
A idealização que ela fazia dele, "se sentia tão pequena perto dele, que era tão perfeito" - que, inclusive, é diferente da idealização em conjunto, advinda da paixão deles.
A própria circunstância dele interromper o momento para atender ao vício.
O nome Bob não transmite muita firmeza, não me parece muito verossímil, sendo também um símbolo sutil para referir-se a ele, até porque o comportamento dele é muito parecido com o do Bob.
A amiga da Mari, na história, representaria a minha consciência.
Enfim, sem mais delongas nesses assuntos, achei uma coincidência peculiar você escrever e tudo corresponder, sabe? xD

Joan Jett disse...

Jeesus, a Dressa fez uma resenha sobre o seu texto. Filosofou/viajou/se encontrou legal shauhsuahsuahsa

Quero uma mão que encaixe perfeitamente na minha.
Lindo o texto!
Gostei do defeitinho.