segunda-feira, 25 de março de 2013

Aqui

É como chegar no topo da montanha e tentar respirar um ar de vitória, mas não há ar suficiente pra encher o pulmão, é como gritar com o que resta de fôlego e não ter resposta.
Você tá sozinha, tá vendo?
De que adiantou dar 2000 passos em direção à vitória se quando caía a noite, tu acampava sozinha? De que adianta tentar se acostumar com esse ar estranho e novo, se o peso do peito tá maior do que ele consegue aguentar?
Ainda tá tudo aqui dentro, os suspiros, as palavras, os gestos, os tapas, os beijos e mais outras coisas censuradas que eu queria contigo, eu carrego elas num mochilão gigante enquanto eu tento olhar e andar pra frente, fingindo que tô ignorando seus passos, suas palavras que mesmo de longe me atingem, sua imagem que fica marcada em mim como uma cicatriz que eu não gosto de olhar. Tá tudo empilhado num arquivo intitulado: medo.
Medo de você me rejeitar, me deixar na sarjeta sem nem um pingo de esperança, medo de você dizer que me ama, dizer que somos perfeitos um pro outro e que não há o que te faça ficar longe, medo do que você causa em mim ou causaria se a gente ainda tivesse junto. Tá tudo aqui nessa cicatriz em forma de coração entalhada com os pedacinhos do meu próprio, do primeiro ao último tum-tum dele, você tá lá me lembrando constantemente de que aquilo não me pertence mais, que o único órgão que me dá calor, alegria e vida tá desfalecendo nas suas mãos e você simplesmente não quer reavivá-lo; em todo tic tac dessa bomba você tá lá.
E mesmo que haja esse vazio no peito, tem uma pilha de arrependimentos que não me permite respirar, ver ou querer sentir isso novamente por qualquer pessoa.
É chegar no lugar mais alto do pódio e ver que aqui só cabe uma pessoa que certamente não é você.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Conversa de Madrugada

A boca disse o nome dele de novo.
- Mas que merda - gritou a laringe - cansei de ficar gastando minhas cordas vocais com a mesma vibração - Boca, não dá pra dar uma maneirada não?
A boca, levemente ultrajada, logo replicou:
- Culpa dos olhos... Tavam lendo uma coisa naquela internet e me obrigaram a falar.
- Epa, epa, ela manda eu ler, eu só obedeço. - os olhos estavam cansados - Esse nome me dá vontade de cometer auto-flagelo, sério, vou dar glaucoma pra ela.
Todos riram, adoravam debochar dela, besta, ficava mandando eles fazerem a mesma coisa todo dia.
- Aí vem aquela dor bem profunda - gritou o cérebro lá de cima - Ela tá lembrando de TUDO relacionado a ele.
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAI - o pâncreas gritou
- Que que foi, cara? - perguntou o estômago, seu vizinho.
- Mas que diabos. Essa menina tá até me fazendo ficar doído. - ele suspirou longamente, se livrando um pouco da dor latejante - Ela nunca vai parar de lembrar dele não?
- Sei lá, cara. Espero que sim, porque as consequências são brabas. Primeiro vêm aquelas borboletas gigantes e depois uma dor que dá vontade mesmo é de chorar.
- Chorar... Taí, é isso mesmo que dá vontade.
Então começaram todos os afetados a chorar com muita vontade, mas muita vontade mesmo, todo o corpo dela estava sendo inundado por lágrimas salgadas que não faziam nada de bom pra sua pressão arterial, então o coração pôs-se a chorar também.
Aí bem depois, quando tudo tava bem esgotado e os dutos lacrimais já estavam ressecados, o cérebro resolveu guardar as lembranças dele na gaveta que fica lá pras bandas do lobo frontal, pra ela conseguir escrever sobre tudo isso.
As mãos então guardaram o velho diário debaixo da cama.
E ela dormiu, o Sol nasceu e de repente tudo ficou excepcionalmente maravilhoso.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Dividir


Por que não dividimos a culpa, amor?
Se eu fui tão rápida em pular fora do barco quanto você, se no fim só ficou cada um pro lado do rio, secos, nus, assistindo enquanto nosso amor naufragava lentamente naquele lago onde tudo começou.
Eu até te diria pra chegar mais perto, mas a nossa ponte tava queimando perante nossos olhos e eu como uma boa piromaníaca, só fiquei olhando enquanto o que fomos, somos ou construímos ia se consumindo. Cheguei até a ver faíscas nos seus olhos, não sabia ao certo se de ódio ou de amor, mas todos sabem que entre esses dois existe uma linha bem fina, imperceptível quase, quase gritei perguntando se você me odiava ou se ainda me amava, mas àquele ponto não fazia mais diferença, tava tudo indo às cucuias mesmo.
Vi você olhando com tanta concentração quanto eu, praquele barquinho de papel que queimava no lago e nada a gente fazia pra apagar aquele fogo... Não, não. Aquilo não nos pertencia mais, o fogo da paixão, daquele momento não era mais do nosso feitio, agora eram conversas secas, dispensáveis e sem emoção.
A gente uma vez dividiu nossa vida um com o outro.
E agora que acabou... Por que não dividimos a culpa?

domingo, 16 de dezembro de 2012

Romeu e Julieta

Depois de mais de um ano resolvi finalmente sentar e descansar, de correr atrás de você, de andar por aí te procurando desesperadamente ou de me arrastar pela terra quando eu simplesmente não conseguia mais usar as pernas com o fim real delas.
Deixei a vitamina D penetrar minha pele e me dar a energia que eu precisava só pra dar mais um passo, só pra eu ser sua sombra silenciosa de novo, gostar de ti sem tu nem ao menos desconfiar, afinal de contas eu sou orgulhosa o suficiente pra não encher teu ego assim de graça. Enquanto os raios de sol me cegavam, lembrei daqueles breves momentos de intensa paixão nossos, você se lembra? Deus é testemunha de que eu quis te pôr dentro do carro, te casar e ter vinte e oito filhos, se o dinheiro nos permitisse.
Naqueles momentos, você era meu marido e eu era completamente sua. Um romance shakespeariano, se me permite dizer... Aí depois eu me lembrei que o mais emblemático romance de Shakespeare além de terminar tragicamente, não me apetecia de forma alguma.
E sem beijo nem nada, eu matei nosso amor com sua adaga.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Recordar NÃO é Viver

Um ano passa rápido.
Num ano tudo muda.
Tudo e nada, porque quando a gente para pra pensar, a vida anda em espirais, mas isso não muda o fato de que algumas situações mudam, mas a pessoa que tá do seu lado continua a mesma, quer ela queira ou não, você se agarra até ao último fio de cabelo dela pra que você possa ter aquilo pra sempre; aquela sensação de ser amada, de ser amor, de ser você, cheia de imperfeição, neurose e aquela visão super-romântica que toda mulher merece ter um dia.
Você me fez sentir assim e bem lá no fundo, eu sentia que enquanto eu te puxava pra dentro da minha vida, você se empurrava pra ela também, mas chegava um momento que um cedia e de repente todo esforço que a gente fez foi em vão.
Noite estrelada, céu da cor que nem a Faber Castell fez ainda, aquele momento era nosso, era eu, você, crus, nus, do jeito que queríamos. Vai ver eu te vi demais e me assustei... Vai ver você me viu demais e eu te assustei.
Só sei que eu revivo essa porra todo dia.
Vestido curto. Maquiagem. Você disse que gostava de mim? Oh, céus.
Hell yeah, baby, I wanna hold your hand.
Só sei que eu revivo essa porra todo dia.
E eu queria não me arrepender, eu queria ter te beijado quando eu tive a chance, ou ter te agarrado o braço e dito que eu te queria também, só pra causar uma confusão na sua cabeça. Mas reviver, apertar o play na minha mente só me faz ver todas as coisas que eu perdi e tudo o que eu poderia ter tido ao seu lado.

Mas de repente aquele velho puxa-empurra não tava mais funcionando pra ti e você cortou tudo e me deixou no chão enquanto eu só puxava, e de mim agora você leva um trapo meio fudido que costumava deixar sua mão calejada de tão forte que eu puxava.
E foi assim que acabou.

domingo, 4 de novembro de 2012

Fairy Tales

E então você me abraçou e perguntou se eu não estava cansada daquilo tudo. Se eu queria viver nessa incerteza e nessa mesmice de sempre.
"Você quer mudar? Vamos começar agora."
E como num conto de fadas você folgava um pouco o abraço forte e me beijava, e eu o sentia, como senti você respirar ao meu lado, sua boca na minha, aquele gosto familiar.
De repente era tudo tão tão feliz, o mundo se encaixava perfeitamente e todos finalmente estavam felizes com as mulheres e os homens de suas vidas.
Pra que querer algo mais?
Por que eu deveria me contentar com algo menos que você? Algo menos que o amor, que um sentimento enervante e ao mesmo tempo delicioso.

Mas contos de fadas são assim mesmo.
Numa hora você tá tão feliz que não cabe em si e na outra...
Acorda!

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Vá ao Diabo.

AI QUE ÓDIO.
Eu vim no caminho pensando sobre como eu pensava com ternura sobre tudo que a gente tinha, seu ridículo, eu não sei o que diabos você faz que sempre me afasta e eu volto, que nem um cão sarnento que gosta de ser chutado.
POR QUE DIABOS EU FAÇO ISSO?
Eu tava com um texto incrivelmente bonitinho na minha cabeça sobre você, pensando que Deus era um cara muito sacana mesmo por ter te deixado tão longe de mim, mas agora eu vejo, seu babaca, DEUS É JUSTO, eu não aguentaria você sendo o cão sarnento que gosta de ser chutado por uma menina qualquer e que volta quando bem entende pra mim. Entenda que eu não te quero pra mim como o amor que um dia você potencialmente foi, eu queria meu amigo.
Idiota, pensava que eu fosse seu anjo, seu amor e agora eu tô com vontade de escrever quinhentas vezes que eu não gosto de você só pra você ver que você só me maltrata, me magoa e que isso tá repercutindo no  nosso futuro juntos.
Seja feliz com ela, sério, eu juro que por trás de toda a porra da raiva que eu tô sentindo agora, eu quero que você seja feliz com essa descarada, mentirosa, louca e desbocada, eu desejo que com ela você encontre tudo que você achava em mim.
Porque eu tô caindo fora...