quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Desorientada

 Um reality show chamado "Sua mãe te conhece?" que tem como função distrair, entreter e deixar as confusões pra dentro da tela e não fora.

E eu me pego com raiva, pensando nas mães que tem umas atitudes duvidosas, filhos mimados e isso me entretém por muitos momentos. O problema são os momentos que eu penso na minha experiência como mãe, como eu amei meu filho mais que qualquer coisa na vida e não vou ter a oportunidade de mimar ou ter atitudes duvidosas. E ao mesmo tempo uma identificação tão grande com algumas mães que querem acertar, que duvidam delas mesmas, que questionam e querem mudar pra se relacionar direito com os filhos. 

Nessa hora o reality não me satisfaz e eu me pego pensando no tanto que as coisas ficam meio relativizadas, porque hoje tudo é meio foda-se. Não tem treta, confusão ou barraco que me parece realmente relevante hoje em dia, porque as confusões podem ser contornadas enquanto tá todo mundo aqui no mesmo plano.  E é difícil de passar por cima do nosso orgulho quando a gente tem problema com quem ta vivo, porque todo mundo vivo é imperfeito, cheio de defeitos e qualidades e tem impasses que não parecem ter remédio mesmo. 

É difícil não sair do outro lado do trauma de perder um filho sem pensar que os sentimentos são legítimos, mas não vale a pena se agarrar nisso e levar mágoa pro resto da vida. 

Então viva, ame, cuide como se tudo fosse acabar amanhã, porque pode ser que acabe mesmo. 

sábado, 30 de maio de 2026

Sábado

Sábado não tem trabalho. Não tem obrigação.

Hoje eu me sinto meio nostálgica pelo que o sábado era: acorda cedo, dá comida, brinca, se arruma, sai, vê o mundo, dorme e tudo do lado dele, tudo com um sorriso, com a voz infantil, com energia de milhões, com felicidade de milhões. 

E agora o sábado voltou a ser o que era antes... Sem trabalho. Sem obrigação. Mas também sem acordar vendo o sorriso dele, passar o dia sem ter pra onde ir porque ele era o norte de toda a programação que aconteceria no dia. É ficar em casa, ver TV até tarde, tentar distrair a cabeça... 

Difícil ter sentido uma felicidade e depois voltar pra o que as coisas eram antes dele. Hoje eu tô ressentida de quem tem filho porque todos eles tem um privilégio que eu não tenho.

Hoje eu sinto a pura gratidão de ter Antônio, mas também sinto raiva, também sinto mágoa... E a melhor parte é que sentimento passa, então me conforta saber que eu não vou ficar assim pra sempre.

Não... Sentir saudade é pra sempre agora.

Te amo, meu coraçãozinho. 

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Dança da Despedida

[Harvest Moon - Neil Young]

Como uma alucinação você surge na minha frente, sem falar uma palavra, me estende a mão e me tira pra dançar.
Eu esperava isso há anos, mas hoje parece tão diferente da expectativa que eu tenho. Balançamos pra lá, pra cá, pra lá pra cá, você vai contando os passos "um, dois, três, um, dois, três" bem baixinho no meu ouvido.
Nada além de eu e você.
Ainda em silêncio você encosta sua bochecha na minha e suspira.
"Nós nos amamos muito"
Eu não tenho força pra responder então só aceno com a cabeça.
Relembro dos momentos que passamos, das risadas, do amor, do carinho, do respeito.
E você se afasta de mim pra me rodar e ri.
Quando voltamos a dançar juntos, voltamos mais distantes.
Como as coisas chegaram aqui?
"Você e eu merecemos algo melhor"
Isso dói, mas é uma dor necessária. Eu sei que é a verdade.
Eu digo que te desejo alguém que te ame como você merece e deseja.
Você une nossos corpos e nossas bochechas de novo e acena com a cabeça.
Eu me afasto de você pra te rodar e rio.
Quando voltamos a dançar juntos, voltamos ainda mais distantes.
"Vou guardar o que foi bonito, lembrar do amor e das boas coisas"
Sinto raiva, amor, satisfação
E por fim
Um beijo na testa
O fim da música
E a aceitação de que talvez não fosse pra ser.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Past

Em restrospecto, eu sei que houveram centenas de sinais. Centenas.
Eu não lhe digo isso pra te confortar, pra fazer com que você se sinta melhor por ter tentado mais, mas sim pra que eu me sinta melhor porque eu senti uma coisa inexplicável.que até hoje me atormenta...
Me deixa assustada, na verdade, as várias maneiras de como você me atinge... Fisiologicamente falando, eu fico inútil, me lembro de você respirando bem perto de mim e pensando que aquele ar era meu também.
Ridículo.
Mas eu tô até aliviada, porque perto de você eu sinto uma necessidade gigante de provar que eu tô bem, pra você ver que não há um osso no meu corpo que sente sua falta, mas isso sempre acaba dando errado e parece que eu tô pior do que a realidade. Alivia porque eu não sinto mais vontade de te mostrar que te ver ainda não me causa um arrepio ou dois, porque vai que você sente eles também, né?

segunda-feira, 3 de março de 2014

Só Nosso

Tem um rio de lágrimas no chão da sala e você o está abastecendo, sentada aí nesse canto... Vem cá, converse comigo e me permita dar-lhe um bom tapa se for por um motivo frívolo ou me permita ajudar-te a abastecer o lago salgado que virou este cômodo.
Como eu sei que você não é de chorar por qualquer coisa, preparo minhas lágrimas e nem ponho rímel na cara que é pra não borrar.
Vem cá, pequena, se aninhe aqui em meu colo e diga o que te aflige, que eu lhe prometo que vai ser um segredo só nosso; olhe em meus olhos e não veja nada além do amor que eu sinto por você e o tamanho da disposição que tenho pra lhe escutar, pois também é tão bonito o jeito que cê fala sobre as tragédias... Como se elas não estivessem te devorando de dentro pra fora.
Explode comigo, porque aqui cê ta segura e a explosão vai ser tão nossa, que só eu vou escutar enquanto você sente seu coração despedaçando.
Quero dizer que meus conselhos não vão ser os melhores, que minhas piadinhas pra animar o ambiente não serão as mais astutas e que se eu olho pro outro lado, eu só tô me certificando que nesse mundo não hajam mais monstros no escuro tentando te fazer mal.
Eu podia mostrar isso pros nossos amigos todos e bater no peito me gabando da ótima amiga que sou, mas isso não seria tão real quanto eu colocar isso o mais escondidinho que eu posso publicar.
Porque esse texto é só seu, nêga.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Cruzes!

Eu rodo sem rumo pela cidade, meu velocímetro diz que eu tô muito rápida e meu sangue diz que eu tô muito alcoolizada, mas eu não ligo... Quando vejo essa cidade, encontro cruzes em todas as partes.
Eu penso que meu carma deve ser fodasticamente horroroso, porque não vejo como eu, que procuro ser tão boa com os outros e os ponho (de vez em quando) na frente de mim mesma, estou sozinha sem ninguém pra se preocupar se eu to muito bêbada, muito confusa, muito rápida. Eu quero um amor só meu, que seja intenso, que seja eterno enquanto dure, que me faça rir, chorar e me faça até sentir uma ponta de ciúmes.
Mas eu rodo pela cidade e em todo bairro eu encontro cruzes de amores que poderiam ter sido e que não foram e elas vão soltando uma farpa no meu coração que tornam ele mais ferido do que já é e eu tenho um medo sincero de que um dia as cruzes findem comigo terminando machucada por amores que nunca aconteceram.
Cruzes!
Espero que não.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Pissed

Não consigo nem dizer direito o que eu to sentindo agora, eu quero cometer o maior massacre do mundo e o álcool é o único álibi que eu tenho. Será que vale?
Não consigo superar essa raiva interna de vocês, grudados, longe do meu presente. Nunca pensei que num dia a gente pudesse perder uma amiga e um amor, mas se a vida é assim, que seja!
Quando eu matar vocês, eu vou contar como partiu meu coração cada beijo, cada dança, cada amasso e, isso sim vai ser o golpe final.
Eu não vou parar seus corações, eu vou fazer doer até ele parar voluntariamente.
Então, meus ex-queridos, eu queria mandá-los ao diabo, mas meu álibi não me permitiu ser tão benevolente, então vão pro inferno mesmo.

The Short Tale

Sempre quis contar a história sobre como a gente se conheceu, mas nunca tive certeza se eu poderia descrever tanta grandiosidade, então desconsidere isso como uma página do nosso livro juntos e só permita que eu diga o que eu lembro e como eu lembro, pode ser?
Nosso amigo nos apresentou, na vã esperança de que você fosse ajudá-lo a me conquistar, mas o tiro saiu pela culatra no primeiro cumprimento que a gente trocou, porque nunca duas criaturas se fascinaram tanto logo num primeiro encontro.
Você veio me fazendo perguntas existencialistas, sobre a vida, sobre minhas atitudes, alegando que queria muito me conhecer e entender porque nosso amigo se encontrava tão encantado por mim, mas eu tinha um jeito único de compartilhar o que tava na minha cabeça sem revelar quem eu realmente era (instinto de proteção própria ou só medo, você escolhe) e meu quebra-cabeças se tornou cada vez mais cativante pra você. Logo percebi que seu olhar tinha mudado, havia um tipo diferente de faísca quando a gente interagia e todo o ambiente se modificava pra caber direitinho a tensão que havia entre a gente.
Lembro que numa dessas reuniões, você me levou pra casa e disse que haviam diferentes personalidades em você, que ora você era você, ora Jack, ora Dave e que isso te perturbava de um jeito mais profundo que aquele seu sorriso quis denunciar. Quando eu disse que eu só tinha uma personalidade e que ela era bastante estável na sua instabilidade, você parou de frente pra uma dessas lojas de discos que a gente gostava de entrar e disse, enquanto você me empurrava contra a vitrine que eu tinha outra personalidade, que eu era uma Cinderela e me beijou, sem me deixar ao menos imaginar o que raios aquilo significava.
E eu não queria mais pensar, nem conversar, a gente já fazia isso o suficiente.
Isso pode ser muito diferente na sua cabeça e, claro, eu tô contando a versão mais curta, porque só nós precisamos saber o que é censurado, mas acho seguro dizer que nós acabamos.
Mas eu gosto de ressuscitar você de tempo em tempo só pra te dizer que se eu te inspiro metade do que você me inspira... Garoto, nós tínhamos que estar juntos.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Drinking Habit

A gente começa com uns dois copos de vinho, quando a gente é adolescente idiota e quer quebrar as regras só pra dizer que somos adultos, mas depois de um tempo, a sensação de embriaguez para e só vem os efeitos colaterais do dia seguinte que não são nada agradáveis.
É a primeira vez que a gente jura que nunca mais faz uma coisa que com certeza vai se repetir.
Aí depois a gente cresce, mas só na idade mesmo, porque a cabeça pouco muda, aí a gente começa a beber com os amigos, treinar responsabilidade - e autocontrole - quando é a vez de ser o motorista da vez e a bebida vira uma companheira amável e necessária, só pra dar aquela soltada na galera e a conversa fluir bem mesmo.
Aí começa o jeitinho social de beber, aquela coisa amena, de sexta feira a noite, sábado ou só no domingo, depois de uma semana cão.
Mas aí chega um dia fatídico que alguém, por alguma razão, quebra você e te larga sozinho apertando o replay da história todinha de vocês, pra saber exatamente quando o fim começou e de quem foi a culpa, se você é o único lascado ou se foi uma coisa mútua. Aí isso pega a gente pelo pé e derruba pra gente sentir que não levanta mais.
Aí que começa o hábito - mesmo que um passageiro - porque aquela velha companheira dos happy hours parece que te seda, te pega no colo e diz que tudo vai ficar bem daqui pra frente. Aí, claro, depois de parar, a gente sente aquela dor batendo na gente com um baque e vem efeitos colaterais diferentes: a gente chora, ri, até vomita pra lembrar um pouco de quando a gente era jovem e idiota e depois vem uma sensação de vazio que só quem sente sabe. E o hábito parece algo tentador quando a gente quer largar um problema sem ter que lidar com ele sóbrio, consciente, racional, então a gente bebe até esvaziar tudo que a gente sente de uma maneira esdrúxula que acaba dando certo.
Engraçado como a gente é covarde, né?

domingo, 29 de dezembro de 2013

For Give

Eu queria te dar de Natal um lindo presente que eu sei que você ia gostar muito. Pensei em livros, cadernos de anotação ou coisas de Freud, porque sabe lá Deus o porquê de você gostar tanto desse cara, mas depois de quebrar minha cabeça, - e meu cofre - eu percebi que eu deveria dar a você um bem muito mais precioso: meu perdão.
Você me fez acreditar que tava tudo bem e que nada, absolutamente nada, poderia dar errado e mesmo a gente tendo um prazo de validade, ou seja, mesmo eu sabendo que você ia embora e que isso ia acabar, você conseguiu desviar do plano inicial e cair fora bem antes. Eu te perdoo por jogar comigo o mais vil dos jogos, sabendo como eu era ruim nesse tipo de coisa, sabendo como eu precisaria de várias e várias sessões de terapia pra superar os meus problemas do passado que me quebraram lentamente. Você me alimentou de esperanças, de felicidade e de "amor", esperou até que eu me envolvesse pra poder repentinamente cortar laços comigo sem que eu tivesse a chance mesmo de lutar, me defender ou só de gritar com você.
Que porra de jogo é esse, cara? Você disse que não ia fazer isso, que comigo era diferente e eu não precisava me preocupar com isso, porque os outros caras faziam jogos... Não você. 
Tu criou outro nível de mágoa, uma que queima, arde e demora pra caramba pra cicatrizar só pra me lembrar todos os dias que você esteve aqui.
Você esteve aqui e sumiu.
A culpa não é só sua. Eu que fui burra e caí na sua, quando eu devia ter ouvido meu instinto falando que era uma cilada de novo, que eu ia me foder de novo e que não ia ser só no bom sentido da coisa.
Eu odiei você porque você me magoou.
Mas no espírito do Natal, eu vou largar isso de mão, vou enxugar umas lágrimas bestas da cara e vou te dar um enorme presente.
Toma aqui meu perdão...
E não volta mais.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Nuvem

Eu fico e você vem.
Porque a cada hora do dia parece que eu tô ficando tão leve que eu tô voando e todas as minhas palavras chegam ao chão antes que eu pense em me ancorar de volta e sair desses estado de leveza que eu nunca pensei que pudesse existir.
Vem aqui pra gente continuar de onde a gente parou.

Aquele Abraço

O seu abraço apertado, aquele cheio de paixão e que me faz pensar que todo mundo foi embora e só tem eu e você...
Saudades dele.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Mas Só Parece

Parece que há dez anos eu escrevo só pra você.
Mas só parece...

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Só a Primeira

Quem diria que uma terça feira poderia ser tão extasiante?

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

When We're Naked

Todas as nossas palavras viraram ar bem na nossa frente, elas devagarzinho tão embaçando o vidro do carro, nossa visão do mundo, tão obstruindo nossas gargantas.
Vamos parar de falar e começar a agir? Acho que já é hora da gente começar.
Eu gosto mais da gente quando estamos caladinhos.

domingo, 3 de novembro de 2013

Fala

Me diz o que eu tenho que falar ou fazer pra conseguir você onde eu quero.
Porque hoje a única coisa que eu queria era que você realizasse aquele sonho.

Te Consegui

Eu achava que eu nunca ia ser boa o suficiente pra ti, que nossa vida não passava de mais de uma das minhas relações platônicas e nada poderia me tirar isso da cabeça.
Mas na última hora, você me abraçou com todo amor que você tinha pra me dar e eu me senti acolhida, feliz... Em casa.
Você é onde tá meu coração, você é onde está meu lar.

Há Tempos

Você há tempos já tá fora do alcance das vistas, nem mais é um pontinho no meu horizonte, quero que tu saiba disso.
Mas você me deu uma coisa que eu achava que eu nunca ia ter e eu sinto que eu escrevo por você há mais tempo do que eu te conheço.

domingo, 29 de setembro de 2013

The First Taste

Eu tenho sonhos reais com você, de uma intensidade que chega até a doer bem no fundo do peito porque parece incrivelmente tortuoso não te ter do meu lado toda vez que eu acordo. Eu sinto seu gosto na minha boca, eu te trago pra perto e te digo sacanagens, te viro do avesso e me delicio a cada segundo mais.
É como ter o primeiro gostinho de como é estar com você e depois disso nada mais.

Sei lá eu

Perturba.
Acho que é aquele sentimento que a gente tem quando se está meio vazio de amor romântico, aquele tédio, como se todos os dias fossem normais e a gente não tivesse nada demais pra esperar... Uma coisa meio blé.
O pior é que eu nem sinto falta dele propriamente dito e sim de como eu me sentia quando tava perto, aquela sensação de leveza, de nervosismo e um fogo que incendiava o corpo inteiro só de pensar.